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Story Publication logo April 4, 2026

Earmark Pipeline in the Amazon Promotes Inequality and Lack of Control Over Public Funds (Portuguese)

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This article was originally written in Portuguese and published in Folha de S.Paulo. The key points of this article are presented in English below, followed by the original version of the story. For a full English version of this article, please click on the “Translate page with Google” button on the upper right-hand side.


Key Points

  • While Melgaço (PA), which has the lowest human development indicators (HDI), receives no resources, Macapá (AP), a political stronghold of Alcolumbre, renovates a small tram at a tourist pier.
  • The ministry says allocations are decided by lawmakers; through earmarks, the Calha Norte program directs 80% of its resources to just 10% of the 783 municipalities it serves.
  • This story examines how the so-called “emendoduto”—the large flow of congressional earmarks—is being used in the Amazon region in ways that reinforce inequality and weaken oversight of public spending. It shows that resources are often directed according to political interests rather than social need, distorting the allocation of federal funds intended for regional development.
  • One of the central findings is the uneven distribution of funds among municipalities. Poorer areas with very low human development indicators, such as Melgaço in Pará, receive little or no support, while politically connected cities benefit disproportionately. In some cases, funds are used for projects with limited social impact, highlighting a mismatch between public investment and local needs.
  • The article also highlights how specific federal programs, such as Calha Norte, have been heavily influenced by these earmarks. A large share of resources ends up concentrated in a small fraction of municipalities, reflecting the priorities of individual lawmakers rather than a coordinated development strategy. The government, in turn, argues that the responsibility for allocating these funds lies with members of Congress who propose the amendments.
  • Overall, the report points to a lack of transparency and control over how public money is spent in the Amazon. This “pipeline” of earmarks not only exacerbates regional inequalities but also raises concerns about accountability, efficiency, and the long-term impact of federal investments in one of Brazil’s most vulnerable and strategic regions.

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Emendoduto na Amazônia promove desigualdade e descontrole de verbas


Vista aérea do lixão do município de Melgaço (PA), detentor do pior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do país e que não recebeu verbas do programa federal Calha Norte entre 2015 e 2024. Imagem por Pedro Labigalini/Folhapress. Brasil.
  • Enquanto Melgaço (PA), com pior IDH, não recebe recursos, Macapá (AP), reduto de Alcolumbre, reforma bondinho em píer turístico
  • Ministério diz que indicação cabe a parlamentar; com emendas, Calha Norte destina 80% dos recursos para 10% dos 783 municípios atendidos

Melgaço (PA) e Macapá (AP) e São Paulo –"A Calha Norte dá essas emendas para todo o Brasil?" A pergunta, feita pelo prefeito de Melgaço (PA), Zé Viegas (MDB), dá uma dimensão de como os recursos de emendas parlamentares direcionados por meio do programa federal Calha Norte estão distantes do município no interior do Pará.

Detentora do pior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do país, a localidade convive com problemas que afetam inclusive o meio ambiente, sendo o lixão a céu aberto da cidade a faceta mais visível da falta de investimento público.

Já na capital do Amapá, separada de Melgaço por apenas dois municípios e cerca de 250 km por via fluvial, é possível ter uma vista panorâmica da fartura de dinheiro público destinado pelo programa. Lá, onde o IDH é alto, a reforma e revitalização do píer turístico da cidade, que conta até com um bondinho elétrico, reluzem o gordo volume de verbas para o reduto político do presidente do Congresso, o senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

A desigualdade na distribuição de recursos do Calha Norte está a olhos vistos na Amazônia Legal, mas também já foi quantificada em uma auditoria do TCU (Tribunal de Contas da União). O levantamento revela que 80% dos recursos foram destinados para apenas 10% dos 783 municípios atendidos pelo programa entre 2015 e 2024.


Píer turístico de Macapá reformado e revitalizado com recursos do programa federal Calha Norte conta até com bondinho elétrico. Imagem por Pedro Labigalini/Folhapress. Brasil.

O píer conta com um bondinho elétrico horizontal para percorrer os cerca de 400 metros entre a orla e o restaurante instalado na extremidade da estrutura no rio Amazonas, mas muitos visitantes preferem fazer o trajeto a pé.Imagem por Pedro Labigalini/Folhapress. Brasil.

O detalhamento dos dados mostra que 2,5% das localidades receberam metade de todos os repasses no período.

Segundo a auditoria, o programa destinou o total de mais de R$ 4,5 bilhões no decênio.


Após a conclusão das obras do píer, no fim de 2024, as redes sociais do senador Davi Alcolumbre passaram a bater bumbo sobre o fato de emendas parlamentares dele terem financiado o projeto. Imagem por Pedro Labigalini/Folhapress. Brasil.

Em Macapá, foi dinheiro público do Calha Norte que permitiu a revitalização e reforma do píer (ou trapiche) Eliezer Levy, um dos pontos turísticos da cidade. Imagem por Pedro Labigalini/Folhapress. Brasil.

Trecho da rodovia José Osmar Pinto, entre Macapá e Santana, recapeado com recursos de emendas parlamentares. Imagem por Pedro Labigalini/Folhapress. Brasil.

Melgaço, detentora do pior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do país, convive com problemas que afetam inclusive o meio ambiente, sendo o lixão a céu aberto da cidade a faceta mais visível da falta de investimento público. Imagem por Pedro Labigalini/Folhapress. Brasil.

A apuração dos técnicos do TCU também aponta que foram privilegiados aqueles que menos precisavam.

As verbas do Calha Norte chegaram a quase 70% dos municípios com IDH alto ou médio. Já os dados quanto às localidades de IDH muito baixo ou baixo indicam uma cobertura de pouco mais de um terço (34,7%).


Imagem aérea de lixão a céu aberto em Melgaço (PA). Imagem por Pedro Labigalini/Folhapress. Brasil.

Poucos minutos de moto por uma estrada esburacada de terra separam o centro de Melgaço do lixão. Assim que acabam as casas de madeira no entorno da cidade, abutres se amontoam na rua sinalizando a entrada do aterro. Imagem por Pedro Labigalini/Folhapress. Brasil.

O lixo é despejado em uma área de mata encharcada cercada por lagoas. Há todo tipo de rejeito: carcaças de carros, restos de açougue, móveis descartados, lixo domiciliar. Imagem por Pedro Labigalini/Folhapress. Brasil.

No momento da visita da reportagem, duas pessoas trabalhavam levando porções do lixo a uma fogueira improvisada entre as pilhas de rejeitos, que chegavam a cerca de um metro de altura. Imagem por Pedro Labigalini/Folhapress. Brasil.

O Ministério da Defesa diz caber aos parlamentares a indicação de municípios a serem beneficiados pelas verbas de emendas. A Câmara afirma que os autores de cada proposta é que podem indicar a motivação da escolha. O Senado não se manifestou.

Criado há mais de 40 anos pelos militares com finalidades estratégicas de defesa nas regiões fronteiriças, nos últimos anos o Calha Norte foi transformado em um emendoduto a serviço dos congressistas para direcionar verbas públicas para seus redutos eleitorais.


Cortesia da Folha de S.Paulo.

O desvirtuamento da ideia original do programa também desponta na auditoria do TCU: 21,64% dos municípios na faixa de fronteira não foram atendidos.

Quando foi criado, em 1985, o projeto federal abrangia 74 municípios, principalmente nas calhas norte dos rios Solimões e Amazonas. Hoje atende 783 localidades, sendo que 589 delas foram incluídas entre 2016 e 2022.


Cortesia da Folha de S.Paulo.

Além da desigualdade na distribuição dos recursos, a auditoria do TCU sobre o Calha Norte revela descontrole orçamentário e de fiscalização, falta de critérios técnicos, falta de transparência e falta de ações atreladas ao aspecto estratégico de defesa nacional.

O programa sofre de "ausência de diagnóstico detalhado, objetivo e realista dos problemas públicos que o programa busca tratar, em desacordo com as boas práticas de formulação e implementação de políticas públicas", dizem os técnicos do tribunal de contas.


Cortesia da Folha de S.Paulo.

Se o Calha Norte contasse na prática com priorização dos municípios em pior situação, certamente Melgaço estaria entre os atendidos nos últimos anos. Situada ao sul da Ilha do Marajó, no delta do rio Amazonas, no Pará, a localidade entrou na área do Calha Norte em 2004, numa das ondas de expansão do programa.

Ao ouvir os moradores do município em março, a Folha percebeu o incômodo pelo fato de mais uma equipe de reportagem ir ao município para falar da "cidade com pior IDH do Brasil". Isso ocorre desde 2013, quando o índice apurado pela ONU (Organização das Nações Unidas) foi divulgado.

Levantamentos mais recentes, porém, mostram que a situação não mudou muito no município desde então.

Ranking de Eficiência dos Municípios da Folha (REM-F), que avalia eficiência de serviços nas cidades, mostra Melgaço no 5.203º lugar entre os 5.276 avaliados (cerca de 300 não foram analisados por apresentarem base de dados insuficiente).

Os piores índices da localidade estão na área de saneamento básico, uma vez que não há nenhuma cobertura de rede de esgoto e apenas 12% da população são atendidos por um sistema de fornecimento de água.

De acordo com o REM-F, a coleta de lixo tem taxa de 31%, mas a Folha constatou que o material é jogado em um lixão a céu aberto na cidade.

Poucos minutos de moto por uma estrada esburacada de terra separam o centro de Melgaço do lixão. Assim que acabam as casas de madeira no entorno da cidade, abutres se amontoam na rua sinalizando a entrada do aterro.

O lixo é despejado em uma área de mata encharcada cercada por lagoas. Há todo tipo de rejeito: carcaças de carros, restos de açougue, móveis descartados, lixo domiciliar.

No momento da visita da reportagem, duas pessoas trabalhavam levando porções do lixo a uma fogueira improvisada entre as pilhas de rejeitos, que chegavam a cerca de um metro de altura.

Segundo a líder comunitária Ediele Lima da Silva, 30, "tudo quanto é tipo de lixo produzido na cidade é jogado lá". "Lixo hospitalar, lixo residencial, ferro-velho, tudo. Não tem um tratamento adequado."

O prefeito de Melgaço, José Francisco Viegas Dias, o Zé Viegas, diz que o município foi alvo de ação do Ministério Público sobre esse problema e já adquiriu terrenos para fazer aterros sanitários. Segundo o prefeito, a transferência do material do lixão para os novos depósitos deve ocorrer a partir de julho.

Depois de saber da existência do programa Calha Norte pela Folha, Zé Viegas lamentou o não recebimento de recursos. "Nossa gestão começou agora em 2025. Até então não teve nenhum contato com a gente, muito menos alguma emenda", disse.


Rosa Lobato é fotografada com os filhos dela em frente à casa onde mora, em uma região ribeirinha da cidade; a família mantém o sustento com a venda de açaí e de peixe, além de contribuição que recebe do programa federal Bolsa Família. Imagem por Alex Almeida/UOL. Brasil.

Crianças manuseiam ostras na praia do Jambeiro, principal centro de entretenimento e atividades de lazer na cidade. Imagem por Alex Almeida/UOL. Brasil.

De acordo com moradores de Melgaço, o município tem mais templos evangélicos do que igrejas católicas. Imagem por Alex Almeida/UOL. Brasil.

Lixão irregular se formou em bairro da área urbana de Melgaço. Imagem por Alex Almeida/UOL. Brasil.

Já a região metropolitana da capital do Amapá, que inclui o município de Santana, está na dianteira entre as recebedoras de repasses de verbas do Calha Norte entre 2015 e 2024, de acordo com o levantamento do Tribunal de Contas.

Os recursos totalizaram cerca de R$ 500 milhões, o equivalente a 11% do total geral do programa, distribuídos em 215 convênios.


A antiga sede da prefeitura, no bairro central do município, traduz o abandono que enfrenta a cidade, a 300 km de Belém, no Pará. Imagem por Alex Almeida/UOL. Brasil.

Eliel Soares (à esq.) e seu sócio vivem da exploração do açaí, principal fonte de renda e base da alimentação dos moradores locais; cada balde é vendido por R$ 5, em média. Imagem por Alex Almeida/UOL. Brasil.

Sem muitas opções de lazer na cidade, meninos brincam em tradicional ponto de encontro da cidade, a "praia do Jambeiro." Imagem por Alex Almeida/UOL. Brasil.

Sem roupas e com uma televisão ligada ao fundo, garoto observa movimento dentro de casa em uma comunidade ribeirinha na cidade. Imagem por Alex Almeida/UOL. Brasil.

Mulheres conversam, sob pouca iluminação, em trapiches de madeira em comunidade ribeirinha. Imagem por Alex Almeida/UOL. Brasil.

Sem acesso a transporte público, população se arrisca utilizando meios inadequados. Imagem por Alex Almeida/UOL. Brasil.

A menina Nalanda Costa, 9, passeia com porco de estimação. Imagem por Alex Almeida/UOL. Brasil.

Passageiros desembarcam de um dos principais meios de transporte para se chegar à cidade, as embarcações coletivas. Imagem por Alex Almeida/UOL. Brasil.

Na ponta deste ranking ainda estão as capitais estaduais Boa Vista (RR), beneficiária de R$ 415 milhões, Porto Velho (RO), contemplada com R$ 235 milhões, e Rio Branco (AC), com R$ 200 milhões.

Em Macapá, foi dinheiro público do Calha Norte que permitiu a revitalização e reforma do píer (ou trapiche) Eliezer Levy, um dos pontos turísticos da cidade.


Mulher limpa peixes sentada em tábuas em frente à casa onde mora. Imagem por Alex Almeida/UOL. Brasil.

Estreitas tábuas são vias comuns para o frequente deslocamento entre bairros e casas do município. Imagem por Alex Almeida/UOL. Brasil.

Wiverson Rocha, 11, toca trompete dentro da palafita onde mora, no bairro central da cidade. Imagem por Alex Almeida/UOL. Brasil.

Homem compra gasolina em posto oficial da cidade, improvisado em palafita no trapiche central. Imagem por Alex Almeida/UOL. Brasil.

O píer conta com um bondinho elétrico horizontal para percorrer os cerca de 400 metros entre a orla e o restaurante instalado na extremidade da estrutura no rio Amazonas, mas muitos visitantes preferem fazer o trajeto a pé.

Após a conclusão das obras no fim de 2024, as redes sociais do senador Davi Alcolumbre passaram a bater bumbo sobre o fato de emendas parlamentares dele terem financiado o projeto.


Crianças fazem lição deitadas no chão de sala de aula do 4º ano do ensino fundamental, na escola José Maria Rodrigues Viegas Júnior; indagada pela reportagem do UOL se faltam cadeiras, uma funcionária da escola alegou que deitados os alunos não passariam tanto calor. Imagem por Alex Almeida/UOL. Brasil.

Jovens jogam vôlei no principal ponto de lazer de Melgaço, a "praia do Jambeiro." Imagem por Alex Almeida/UOL. Brasil.

Salão de beleza no bairro central da cidade cobra entre R$ 3 (corte para criança) e R$ 5 (para adulto). Imagem por Alex Almeida/UOL. Brasil.

Em um dos vídeos veiculados pelo congressista, um influenciador local interpreta o papel de um investigador em ação no píer, que diz: "Hoje eu tenho uma missão diferente. Descobrir quem é o pai da criança que está dando o que falar em Macapá".


O conselheiro tutelar de Breves Fernando Soares, acompanhado de outro conselheiro e um guarda municipal, chega a uma comunidade ribeirinha de Breves para investigar uma denúncia de abuso sexual infantil. Imagem por Lalo de Almeida/Folhapress. Brasil.

Conselheiros encaminham para a cidade uma criança, acompanhada de mãe, após registro de abuso sexual em uma comunidade ribeirinha da região de Breves. Imagem por Lalo de Almeida/Folhapress. Brasil.

Cabe a parlamentar indicar beneficiados, diz Ministério da Defesa

O Ministério da Defesa, responsável pelo Calha Norte até o começo de 2025, afirmou que as ações de obras de infraestrutura básica até 2024 ocorreram "integralmente por meio de emendas, cabendo aos parlamentares indicar os municípios beneficiários e os objetos dos convênios".


Famílias aguardam para entrarem na sala de peso para crianças beneficiárias do Bolsa Família, na unidade básica de saúde de Melgaço. A cidade, no arquipélago do Marajó, tem o pior IDH (índice de desenvolvimento humano) do país. Imagem por Lalo de Almeida/Folhapress. Brasil.

Sala de peso para os filhos das mães que recebem Bolsa Família, no posto de saúde em Melgaço. Imagem por Lalo de Almeida/Folhapress. Brasil.

"A indicação dos municípios beneficiários é prerrogativa dos parlamentares autores das emendas, não sendo atribuição do DPCN [Departamento do Programa Calha Norte] selecionar e priorizar entes municipais com base em indicadores socioeconômicos", segundo a pasta.

De acordo com o ministério, cabe ao DPCN a análise da documentação, o acompanhamento da execução, a realização de vistorias e a exigência de prestação de contas.


Jovem de 18 anos com seu filho de 9 meses, em comunidade ribeirinha; ela foi vítima de estupro pelo pai, segundo a denúncia feita. Imagem por Lalo de Almeida/Folhapress. Brasil.

Mulher ribeirinha carrega no colo seu filho recém-nascido em uma canoa após atendimento em unidade básica de saúde na região da boca do Mapuá, município de Breves. Imagem por Lalo de Almeida/Folhapress. Brasil.

Folha procurou as presidências e as assessorias de imprensa da Câmara dos Deputados e do Senado para comentar sobre o Calha Norte.


Alunos de comunidades ribeirinhas da região da boca do Mapuá chegam à escola, que fica na margem de um rio da zona rural de Breves. Imagem por Lalo de Almeida/Folhapress. Brasil.

Crianças brincam no igarapé Santa Cruz, no Jardim Tropical, um bairro com moradores de baixa renda de Breves, no arquipélago do Marajó. Imagem por Lalo de Almeida/Folhapress. Brasil.

A assessoria da Câmara respondeu que "o motivo da escolha dos municípios beneficiados no Programa Calha Norte deve ser buscado junto aos autores das emendas, assim como com os relatores do Orçamento da União e com os líderes partidários na Comissão Mista do Orçamento".

A presidência e a assessoria do Senado não se manifestaram.


O conselheiro tutelar de Breves Fernando Soares chega a uma comunidade ribeirinha para investigar uma denúncia de abuso sexual infantil. Imagem por Lalo de Almeida/Folhapress. Brasil.

Casas ribeirinhas na região de Melgaco. A cidade, localizada no arquipélago do Marajó, tem o pior IDH (índice de desenvolvimento humano) do país. Imagem por Lalo de Almeida/Folhapress. Brasil.

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