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Recurso Jornalístico Publication logo Junho 12, 2026

Como fazer reportagens sobre a transição energética no Brasil

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The socio-environmental impacts of the extraction of critical minerals in the Amazon

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A confluência do córrego Tiaraju com o rio Alalaú, ambos cursos d’água de águas escuras, é mostrada em outubro de 2025. Da reportagem “Ibama vê ‘indícios de ilícito ambiental’ de mineradora vizinha a terra indígena no AM”. Imagem de Fernando Martinho/Repórter Brasil. Brasil, 2025.

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Quando falamos sobre a transição energética, com que frequência associamos isso ao território? Levamos em conta onde os novos projetos serão desenvolvidos e como eles podem afetar as comunidades que vivem nessas áreas? Esse é o tipo de pergunta que um jornalismo investigativo de qualidade pode ajudar a responder.

A bolsista da Rainforest Investigations Network (RIN), Isabel Harari, começou a fazer essas perguntas enquanto investigava a Mineração Taboca, a maior produtora de estanho do Brasil, atualmente controlada por uma empresa estatal chinesa. A empresa opera a mina de Pitinga, perto do Território Indígena Waimiri Atroari, na Amazônia brasileira. O Ministério Público Federal está investigando denúncias de que a empresa contaminou cursos d’água locais com metais pesados, incluindo chumbo e arsênico.

À medida que Harari se aprofundava na história, percebeu que os impactos ambientais e sociais da mineração de minerais críticos se estendiam muito além de uma única empresa ou local. Havia uma história mais ampla a ser contada sobre terras raras, extração mineral e a crescente demanda por recursos ligados à transição energética global. O Observatório da Transição Energética foi criado para ajudar a revelar e acompanhar essas conexões, fornecendo aos jornalistas os dados necessários para investigar como a transição para uma economia mais verde está remodelando comunidades e ecossistemas.


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“Os minerais críticos não são extraídos de terras desabitadas”, disse Harari. “Há pessoas, comunidades e territórios protegidos no caminho da transição energética. Esta plataforma foi criada para tornar esses impactos visíveis. Ela reúne dados públicos que antes estavam dispersos e mostra, em um mapa claro, quais comunidades e áreas protegidas estão sob pressão e quais empresas estão por trás desses projetos.”

O Observatório da Transição Energética é uma ferramenta criada pelo Repórter Brasil, em parceria com o Inesc (Instituto de Estudos Socioeconômicos) e o PoEMAS (Grupo de Pesquisa em Política, Economia, Mineração, Meio Ambiente e Sociedade), para monitorar os impactos gerados por projetos de energia renovável — como usinas eólicas e solares, mineração de minerais críticos e linhas de transmissão — em territórios indígenas e quilombolas, áreas de conservação e assentamentos da reforma agrária.

A iniciativa conta com o apoio da Fundação Ford e da Rainforest Investigations Network (RIN) do Pulitzer Center. 

Em um webinar recente sobre a ferramenta, realizado com o objetivo de apresentá-la a outros jornalistas, os participantes destacaram que, embora a transição para a energia renovável seja necessária, ela muitas vezes funciona como uma expansão industrial que ameaça territórios pertencentes a comunidades vulneráveis.

A plataforma foi construída por meio do cruzamento de múltiplas bases de dados públicas que não haviam sido integradas anteriormente. Essas fontes incluem a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), a Agência Nacional de Mineração (ANM), a Escola de Pesquisa Energética (EPE), a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e o Ministério do Meio Ambiente

Ao utilizar dados de código aberto de várias agências governamentais, a ferramenta oferece uma visibilidade única: contrasta mais de 12.000 áreas protegidas em relação a milhares de projetos de energia e mineração, revelando que mais de 30% desses territórios já são afetados por atividades ligadas à transição energética e quase 60% podem ser afetados no futuro.

Os dados podem ser baixados gratuitamente e a equipe disse que sua esperança é que outros jornalistas possam usar a ferramenta para desenvolver suas próprias matérias. Então, vamos mergulhar em algumas das funcionalidades: 


Uma captura de tela do Observatório da Transição Energética, uma ferramenta criada pelo Repórter Brasil, pelo Inesc e pelo PoEMAS.

Neste primeiro exemplo, estou filtrando por 1) territórios indígenas que estão 2) localizados na Amazônia Legal e que têm 3) iniciativas relacionadas a parques eólicos, usinas solares, extração de minerais críticos e linhas de transmissão.

Como vi sobreposições, pude explorar os dados mais a fundo. 


Captura de tela da ferramenta Observatório da Transição Energética.

Esses cartões revelam o nome das terras indígenas afetadas por linhas de transmissão, quantas estão em operação e quantas estão em fase de planejamento. Todos os dados podem ser baixados. 

Mas digamos que eu não esteja interessado em linhas de transmissão, e sim em mineração.


Captura de tela da ferramenta Observatório da Transição Energética.

No mapa acima, estou sobrepondo 1) áreas de conservação e 2) licenças de mineração de lítio especificamente. Mas eu também poderia escolher outro mineral desta lista: 


Captura de tela da ferramenta Observatório da Transição Energética.

Em um cenário final, digamos que eu esteja interessado em terras raras.


Captura de tela da ferramenta Observatório da Transição Energética.

Posso ver que, bem próximo à costa do Brasil, há muitas sobreposições com terras indígenas. Entre elas, a Barra Velha do Monte Pascoal. Para a qual posso então expandir o cartão: 


Captura de tela da ferramenta Observatório da Transição Energética.

E, a partir daí, baixar os dados para ver as três licenças que já estão em andamento e as duas que estão planejadas. Ao baixar os dados, recebo uma grande quantidade de informações, mas, apenas para dar um zoom:


Captura de tela da ferramenta Observatório da Transição Energética.

Posso ver 1) o número do processo na Agência Nacional de Mineração (ANM); 2) o ano em que foi registrado; 3) a quantidade de hectares que serão necessários; 4) a fase em que o projeto se encontra atualmente; e 5) o nome da empresa que está liderando a atividade. 

Os casos de uso dessa ferramenta são inúmeros. Ao cruzar dados públicos sobre linhas de transmissão, parques eólicos, parques solares e extração de minerais críticos, o Observatório atua como uma “estrela guia” para jornalistas e ativistas investigarem violações de direitos humanos e danos ambientais. 

Ele também se alinha à missão da RIN de não apenas apoiar reportagens investigativas, mas também ajudar os bolsistas a ampliar o impacto de suas reportagens por meio da construção de uma infraestrutura jornalística capaz de inspirar e facilitar investigações de outros jornalistas.

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