Ilha Grande, no Piauí, é a terra dos homens de lama. Antônio Júlio, ou Seu Julinho, é a pessoa mais famosa da ilha. O homem de lama que fundou a cidade de lama. Ele é chamado de ativista e de poeta. Transita pelas salas do poder e chama atenção. Criou uma família de mais de 100 pessoas. Recebeu um cheque em branco de empresários pela venda de seu território - e recusou. Graças a ele, o preconceito contra os caranguejeiros ficou no passado. Seu Julinho parecia ter Ilha Grande em suas mãos.
Mas, durante o mês que Beatriz Trevisan passa na cidade, ela vai descobrir que não é bem assim. Cidade de Lama é um podcast da Pachorra Felitti Áudios, Livros e Filmes, apoiado pelo Pulitzer Center. É uma série sobre as relações íntimas e profundas de uma família com a cidade e a natureza à sua volta. É uma história sobre um trabalho difícil e invisível, as transformações da natureza e as dinâmicas do poder. É, sobretudo, uma história sobre a condição humana.
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Episódio 1: A Travessia
É dia 26 de novembro de 2025. Faz duas horas que Antônio Júlio navega o Delta do Parnaíba em direção a um manguezal. Júlio fala sobre os morros de areia, os igarapés e as ilhas como se falasse sobre entes queridos. Na viagem, ele conta como aprendeu a decifrar os mistérios do mangue. E como ser catador de caranguejo exige habilidades muito específicas e uma sensibilidade muito aguçada.
Episódio 2: O Manguezal
São quase sete da manhã quando a rabeta se aproxima da beira de um mangue na praia do Pontal, em Ilha Grande. A floresta é sedutora. Clécio e o Zé são engolidos pelo manguezal. Eles andam rápido e com desembaraço. Eles arqueiam o corpo, deitam o rosto na lama e enfiam de uma só vez o braço na toca do caranguejo. Nessa batalha, o homem sofre, mas é o animal quem sempre perde.
Episódio 3: As Pessoas
Antônio Júlio conta como se tornou Seu Julinho, o homem que a cidade toda segue de olhos fechados. O homem que carrega poder nos ombros a ponto de receber um cheque em branco de empresários estrangeiros, que queriam construir um resort de luxo na ilha. O entrelaço do homem com o mangue decaiu sobre Julinho e ele passou para frente a tradição. Mas nem a maior das profecias dura para sempre.
Episódio 4: O Poder
Júlio criou uma associação de catadores de caranguejo e o Festival do Caranguejo, o maior evento cultural e turístico da cidade. Mas, em 2025, a autoridade de Julinho é mais simbólica do que prática. A impressão de que ele tem poder de voto nas salas do poder é falsa. E parece que os catadores de caranguejo têm mais valor na escultura de caranguejo feliz na entrada da cidade do que na vida real e prática.
